Micro-operárias
- 12 de fev. de 2017
- 3 min de leitura

Há muito tempo observo curioso uma pequena protuberância em uma parede externa em meu caminho de todos os dias no quintal. Trata-se de nada menos que um tubo muito pequeno, deve ter aproximadamente 5 cm, um pouco curvado como um chifre de rinoceronte, mas de diâmetro constante de cerca de 1 cm.

Este tubo, saindo de uma fresta entre os blocos da parede, é a porta de entrada e saída de um pequeno vespeiro, onde micro-vespas, que não passam de 1 cm, entram e saem e permanecem o tempo todo consertando as bordas com cera.
Enquanto algumas fazem o papel de coletoras, entrando e saindo, outras fazem o papel de fixadoras, trazendo cera e reparando a porta, pois a cera é constantemente mexida pelo vai e vem; entre estas que entram e saem em busca de provisão, e as que transitam dentro do tubo consertando-o, existem as que fazem papel de guardas, vigiando a entrada, circulando pelas bordas externas e internas ou paradas por curtos períodos de tempo.

Muito interessante notar, no entanto, que as pequeninas não têm ferrões com os quais possam defender-se apropriadamente e talvez isso justifique o grande número de guardas presentes nas paredes de ambos os lados do tubo, pois talvez um ataque de enxame incomode e afaste pretensos agressores/intrusos. Em uma das tentativas de registro do vespeiro, noturna, deparei-me com algo deveras curioso e ignorado por mim. Para minha decepção, iluminando-o para encontrá-las, encontrei-o fechado.

Observei o fato outras noites e percebi que se trata de uma estratégia defensiva contra possíveis invasores/ predadores, demonstrando o nível de cuidado e organização que tão pequenos seres possuem. Já na postagem sobre a aranha, intitulado A pequena tecelã, questionara-me acerca do que uma tão diminuta aranha poderia encontrar para se alimentar e se repararem, verão que há uma pequena vespa morta (?) entre as quelíceras da pequena aracnídea. Próximo ao vespeiro há uma linha de pés de café, que têm pequenas flores e também sementes adocicadas, o que acredito ser a fonte mais próxima de seu alimento. Mas não muito longe, há também o pé de chuchu, com muitas flores e brotos, onde habita a pequenina e perigosa (para as micro-vespas) aranhazinha.

Além deste vespeiro, existe outro, de vespas menores, mais agressivas, castanho-escuras, que construíram sua minúscula colméia em frestas de uma viga fina, já um pouco estragada pela ação do tempo e das intempéries. Não há nesta colméia uma única saída, mas duas identificáveis, com leves protuberâncias. Não há guardas patrulhando o exterior e quando há alguma aproximação, um ou dois guardas partem velozes para um reconhecimento e se preciso, ataque, embora também não tenham ferrões. É fenômeno conhecido o desaparecimento de espécies de abelhas e vespas em todo o mundo nos últimos anos, algo relacionado ao superaquecimento global e a poluição. Caso queira saber mais sobre este fenômeno e sobre as abelhas e vespas, veja as figuras abaixo e acesse os links. E lembre-se, abelhas e vespas são seres dóceis, que só reagem quando atacados ou ameaçados.



Assista: Bee Movie
PS: Ao ver uma abelha ou vespa, evite a todo o custo matá-la. Caso seja alérgic@, afaste-se do ambiente e peça para outra pessoa verificar se o inseto não se encontra mais no local. Em ambientes fechados, geralmente estes insetos procuram janelas para sair, então facilite abrindo-os. Caso não consiga ou não funcione, uma pessoa não alérgica poderá prender o inseto em um vidro e soltá-lo no exterior. Abelhas jataí não têm ferrão, portanto não picam. Não mate abelhas, elas são muito importantes para o ecossistema mundial. Instrua crianças a agirem corretamente e sempre tenha ao alcance antialérgicos receitados por seu médico/pediatra para socorro imediato.






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